Apresentação do novo Daiwa Saltiga 2020
Comecei a pescar com material que hoje seria objecto de riso e chacota. Tratava-se de um carreto Daiwa de qualidade muito duvidosa: era ruím sob todos os parâmetros em que fosse observado.
Basicamente permitia-me levar a linha enrolada na bobine, em vez de a levar enroladinha num pau, ou num bocado de cortiça.
Se o problema fosse apenas o carreto, eu já ficaria muito satisfeito, porque a cana era um pau de vassoura duro e pesado que me partia as costas, e que alguém terá aconselhado como sendo o ideal para aguentar tudo, peixes grandes, maus tratos, pisadelas, quedas no chão, encalhes nas rochas, etc. Na verdade aguentava. Era uma cana que me custa qualificar hoje, que não dobrava por nada, e cuja única qualidade possível seria a de poder fazer frente a um camião TIR lançado, a descer e sem travões. Para que tenham uma ideia do padecimento, era algo como isto: eu tinha comprado uma bobine de fio de nylon grosso, marca JODIC, José Dias Coelho de sua graça, com memória de elefante, que ao fim de meia hora de estar bobinado no carreto, já tinha ganho a forma da bobine, para sempre.
Se tentava fazer um lançamento, a amostra caía-me aos pés, porque nem a cana tinha algo a ver com spinning, nem o carreto o permitia, nem a linha o aceitava. A ideia com que fico é que eu estava a tentar pescar com molas de aço helicoidais. Quando queremos pescar, ultrapassamos tudo, e eu entendi muito rapidamente como aquilo podia funcionar: Junto ao rio, retirava para a margem a quantidade de fio que entendia necessária, e a seguir, girava a amostra em circulo, sobre a cabeça, para lhe dar velocidade.
A seguir, era abrir a mão e a amostra ia parar onde calhava. Esse era o ponto de partida para mais uma recuperação frenética, que quase invariavelmente me iria dar mais um axigã, os “Black Bass” de hoje. A diferença era que havia tantos à minha frente, a olhar para mim e para a amostra, que era impossível falhar. De resto, …picavam sempre!
Felizmente a marca evoluiu, e hoje eles apresentam equipamento que é um sonho. Comparar aquilo que se fazia há 50 anos com aquilo que existe hoje é viajar pela história da pesca desportiva, e um exercício divertido de fazer.
As coisas evoluíram drasticamente. Este é um carreto caro, sim, mas os componentes são de tal forma bons que o justificam. Fazer um carreto que seja por todos considerado o melhor do mundo, é tarefa apenas ao alcance de gente com os olhos em bico, mas para os lados do Japão. Os chineses também fazem carretos, mas estão mais próximos do meu modelo inicial do que desta última bomba que adquiri para fazer pesca vertical. E eventualmente spinning pesado, porque é uma máquina que aguenta tudo.
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| Neste caso, optei por um modelo tamanho 8000 H, o equivalente ao antigo 4500. |
O modelo 8000 H pesa 655 gr, tem um drag de 25 kgs, muito mais que o suficiente, e recupera 111 cm por manivelada.
Coloquei 400 metros de linha PE3, e penso que para quem pesca com amostras, a peixe relativamente grande, está no ponto.
Passo-vos o filme de apresentação, para que possam ter uma ideia do poço de tecnologia que está aqui:
Têm dois filmes incluídos, com os carretos em acção de pesca, a não perder. Podem ver o segundo filme aqui: https://www.daiwa.com/global/ja/fishingshow/2020ss/saltiga/reel/en.html
Como habitualmente, e apanágio daquilo que é feito no Japão, estes carretos são fabricados a pensar no longo prazo. São os carretos que deixamos aos nossos filhos, e que um dia passarão para os nossos netos. O sistema de lubrificação é estanque, Magsealed, e um exclusivo da marca. Para quem tem menos tempo de cuidar as suas máquinas, esta é uma excelente solução.
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| Acreditem: isto é uma grande máquina!... |
Para quem prefere ter um bom do que vinte ruins. Ou por outras palavras, para quem está cansado de comprar carretos made in China e quer acabar com o assunto de vez.
À venda na GO Fishing Portugal, em Almada.
Vítor Ganchinho







Esse carreto é realmente muito bom.
ResponderEliminarComo faço pesca em kayak, é frequente apanharem boas molhas de água salgada ou até ficarem submersos (por solidariedade) quando viro a boneca.
Assim sendo, vou ficando atento ao OLX à espera de uma ou outra pechincha para derreter.
Por vezes adoto um carreto dos chineses, mas quando surgem maiores exigências, a falta de qualidade vem ao de cima.
Obrigado pelo post!
Bom dia Paulo Para situações extremas, para os kayaks ou para quem pesca robalos com a prancha de bodyboard, e que tem de deslocar-se a nadar de uma pedra a outra., no meio das vagas, e sempre com o carreto dentro de água, submerso, cheio de água salgada, não há muito a fazer: é apostar em material descartável.
EliminarEu compro todos os anos uma remessa de canas e carretos. , e porque a qualidade daquilo que é feito pelas marcas de topo não para de subir, tenho sempre razões para continuar a comprar. Recebo informação na GO Fishing daquilo que há de novo, da Daiwa, Shimano, Alpha Tackle, Sram Ticct, e vou experimentando. O meu parque de canas e carretos é um desfile de tecnologia, ...mas eu costumo justificar-me a mim próprio com este argumento: se eu comecei a pescar com uma cana de canavial e três metros de linha de nylon, para material ruim e tosco já dei o meu contributo. Agora prefiro pescar com o que de melhor se faz por esse mundo. E é diferente...de facto ajuda alguma coisa a melhorar os resultados, o conforto também é outro. Eu já não estou para sofrer muito com material ruim. Os meus amigos estão sempre a rondar os expositores de canas e carretos que tenho em casa, porque sabem a cada três meses eu mando vir mais meia dúzia de "bombas", para ensaiar. Eu vendo canas por preços baixos, porque com o valor de duas compro uma nova. A maior parte das canas vão ao mar três ou quatro vezes, porque não dá tempo para ensaiar demasiado. E por isso, e porque não tenho espaço para mais de 50 canas em casa e não posso alargar o espaço, tenho de me desfazer de algumas que são menos "top" que as outras....sendo que ainda assim são canas que na maior parte dos casos só vão chegar à Europa daqui a três ou quatro anos...
As minhas canas de spinning com ponteiras titanium e carbono maciço , já as utilizo há uns 3 anos e estão agora a aparecer os primeiros modelos por cá. Para pescar com a Tenya, o pessoal que experimenta as minhas canas costuma diz que se sente até o pestanejar dos peixes que passam longe....
Nós na GO Fishing em Almada podemos não ter duzentas canas de 8 euros em stock, mas seguramente que temos umas quantas de 400 / 600 euros, ...das que fazem a diferença. A opção é a qualidade máxima, ou não interessa.
No dia em que pescar com uma Sram de 2 metros com 55 gramas entende....
Grande abraço!
VItor